Nas negociações que manteve com os líderes de partidos aliados nesta semana, a presidente Dilma Rousseff não trabalhava com a hipótese de votação do tema na sessão do Congresso, no dia 20.
A decisão de Renan foi comunicada aos líderes partidários do Senado na quarta-feira, segundo líder do governo na Casa, Eduardo Braga (PMDB-AM). A inclusão do tema na pauta motivou uma reunião de emergência no mesmo dia com o vice-presidente Michel Temer, mas o governo tem pouco a fazer para adiar a votação.
Braga disse à Reuters que a decisão de Renan está baseada num critério de prazos adotado pela mesa diretora do Congresso, que prevê que vetos emitidos a partir de 1o de julho passa a trancar a pauta se não forem analisados até 30 dias depois de sua publicação. Renan levou em conta a data em que o veto sobre o FGTS foi protocolado no Legislativo.
“A Advocacia-Geral da União (AGU) acha que o dia do protocolo não devia ser contado”, disse Braga. Segundo ele, o governo ainda está discutindo esse “fato novo”.
A lei que acabava com a multa adicional de 10 por cento sobre o saldo total do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), paga pelos empregadores ao governo em caso de demissão sem justa causa, foi aprovada no Congresso em 3 de julho e vetada por Dilma no dia 25 de julho.
O setor empresarial argumenta que a contribuição não pode ser mantida de forma permanente e está sendo usada para compor receitas do Tesouro Nacional. É forte a pressão dos empresários no Congresso para que esse veto seja derrubado e, como o governo não estava negociando o tema com aliados até o início da semana, a derrubada é considerada certa no Congresso.
A multa adicional foi instituída em 2001, para compensar perdas do FGTS por conta dos Planos Verão, em 1989, e Collor 1, em 1990. Os empregadores já pagam multa de 40 por cento sobre o saldo do FGTS para o empregado demitido sem justa causa.
Na sessão do dia 20, os parlamentares vão analisar quatro vetos, que tratam da mudanças no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec), dos limites para a atuação dos médicos (conhecido como ato médico), da divisão do Fundo de Participação dos Estados e outro que elimina itens da desoneração tributária da cesta básica.
Nas reuniões que manteve com os líderes aliados, Dilma afirmou que se os vetos forem derrubados o governo recorrerá no Supremo Tribunal Federal (STF) para mantê-los.
Braga acredita que vetos ao Pronatec e ao ato médico serão mantidos pelo Congresso. (UOL)
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