O Jornal do Comercio, deu destaque sobre uma reportagem em Bodocó,
no Sertão do Araripe, distante 649
km do Recife, há reservatórios de polietileno
funcionando, mas sem que haja a água da chuva para armazenar precisam esperar
pelos caminhões-pipa, tanto da Operação Seca, do Governo do Estado; quanto da
Operação Pipa, do Exército, e é nestas ocasiões que aparecem os aproveitadores
e vendem a água que deveria ser distribuída gratuitamente
Benedito José de Souza tem 55 anos e foi beneficiado com uma
cisterna de plástico, esperou que esta fosse regularmente abastecida pelos
carros pipas, mas, no entanto um motorista de um dos caminhões que tinha o
símbolo do Exército lhes disse, “que a água era de poço e, por isso, tinha ele
que pagar dez reais”.
Pode parecer pouco para quem vive na cidade grande e sofre apenas
com os estouros das tubulações da Compesa, mas para quem é praticamente
obrigado a vender o gado 90% mais barato do que comprou, a situação é dramática.
Benedito conta a história de conhecidos que compraram gado a R$ 2 mil por
cabeça e hoje, na hora de vender, o novo dono não pega mais do que R$ 200 e
mesmo assim, o bezerro tem que ir junto. “Melhor do que perder carne e couro”,
disse o agricultor.
Situação às vezes pior do que esta é visto, na mesma cidade,
Francisco Ferreira Jacó, de 75 anos, passou por igual situação. Para ele, ainda
foi pior, não tinha a quantia e precisou recorrer a um vizinho e, na hora de
receber, a água não dava para beber. Segundo ele, era de açude. “Era água
salobra, que não dava para beber”, contou.
Um pouco antes de Bodocó, em Sertânia, a 316 km do Recife, Sertão do
Moxotó, outro pequeno agricultor fez nova denúncia. Desta vez, o alvo foi a
Prefeitura. O trabalhador, de 70 anos, que preferiu não se identificar,
“garante que quem não votou na então prefeita e candidata derrotada à
reeleição, Cleide Ferreira (PSB), não recebeu a cisterna, aqui é sempre assim,
quem vota contra é perseguido, essas coisas vêm sempre para quem vota neles,
não vieram aqui, não ofereceram nada”, disse ele.
Procurados pela reportagem do JC, o Exército garantiu que a água
da Operação Pipa não deve ser paga e quem for cobrado tem que denunciar. Nos
caminhões, há um telefone para os moradores fazerem as denúncias. O mecanismo
dessa operação não conta com pessoal e nem equipamento das Forças Armadas. O
pipeiro é contratado e pago de acordo com a distância e a dificuldade de acesso
aos locais onde a água deve ser entregue. Sobre a denúncia de Sertânia, o aludido
veículo de comunicação tentou entrar em contato com a prefeitura, mas não
obteve sucesso.
Fonte: Jornal do Commercio
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